
Rio de Janeiro/RJ
Ana Lucia Machado de Oliveira (UERJ)
Iracema Macedo (CEFET-Cabo Frio)
Apresentação
O congresso tem por foco as múltiplas relações entre Filosofia, Artes e Letras no campo temático de corpo e performance. Trata-se de desenvolver reflexões, diálogos, interfaces, mediante uma proposta transdisciplinar que valorize os mais variados campos de estudos e linguagens, aproximando interlocutores que se ocupam em analisar, descrever/decifrar interseções entre a filosofia e as linguagens das artes: a literatura, o teatro, a música, o cinema, as artes plásticas e a dança, tendo como ponto de partida a reflexão sobre o corpo e as linguagens performáticas. Esse Projeto congrega profissionais de diversas áreas e de diferentes instituições nacionais, propondo atividades como: ciclo de palestras, mesas-redondas, debates, performances artísticas e projeção de vídeos.
A importância que o corpo exerce nas diferentes áreas do pensamento contemporâneo é fato reconhecido nos mais variados campos de saber. Também é consabido como cada vez mais se aproximam as linguagens de uma concepção de representação que não pode elidir a noção de performance: “não há representação sem performance, e a origem da performance é sempre distinta daquilo que é representado” como diz Wolfang Iser. O conceito de performance, portanto, está ligado não apenas às possibilidades e potencialidades a que o corpo pode ascender no mundo atual, mas ao modo como a atividade mimética ultrapassa a mera traduzibilidade e repetição, evidenciando o seu caráter ficcional, para enfrentar e dar conta do mundo a representar (o representável) em suas singularidades, diferenças e plurivocidades.
O tema proposto para o IV Colóquio Filosofia e ficção: corpo & performance fornece um amplo espectro de possibilidades discursivas e afirma a importância do tema em termos antropológicos, políticos e sociais a partir da abertura à reflexão sobre novas formas, transformações, tecnologias e impasses aos quais o corpo humano se submete ou está submetido. O cuidado com o corpo e a saúde, meios de controle medicinais, exercícios físicos são tomados, nos dias atuais, como direito, dever, cidadania, inserção no mercado econômico, no sistema político e social. As formas de subjetivação e alcance de uma identidade mais ou menos estável, como Henri Bergson definia a própria memória, passam pelo corpo do sujeito no momento presente ou na agoridade, termo proposto por Octavio Paz, e, constituindo-se por modos de encenação, estão ligadas ao conceito ainda fluido de performance, tomado como presentação, re-presentação e, ao mesmo tempo, questionamento, distanciamento e clivagem da imitação. Aliados, corpo e performance possibilitam, portanto, um campo interessante para a reflexão acadêmica e para a experiência estética, para as quais se criam aberturas neste colóquio.
O Colóquio propõe os seguintes tópicos:
- antropofagia cultural : “Só interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago” (Oswald de Andrade). Pensar o corpo (individual e/ou da nação) na lei da antropofagia cultural como expressão ressentida? transgressiva? subversiva? de apropriação de modelos etnocêntricos;
- corpo além dos sentidos: visualidade, metaforização, mutações, as competências do corpo;
- performance além do gênero:escritas performáticas, comportamento, política;
- transgêneros: linhas de fuga, devires corporais, corpos desviantes, perversos, transgressões e possessões autocriadoras, escritas travesti;
- corpo performático:a disjunção dos efeitos miméticos e irônicos do corpo encenado, do corpo em cena, do corpo como encenação, fronteiras fluídas entre vida, ficção e linguagens;
- corpo e filosofia:diversas teorizações sobre o corpo, ascetismo, estoicismo, hedonismo;
- corpo no poder: institucionalização do corpo, disciplina, controle, efeitos midiáticos, práticas de si (Foucault);
- corpo, religião e ciência: novas postulações da ciência acerca do corpo, a biossociabilidade, modernas bioasceses (Ortega, 2008), corpo atlético, o corpo místico, o corpo do místico, êxtase, profanação, transubstanciação;
- memória, discurso e performance: novas possibilidades de arquivo, arquivos imateriais, virtuais;
- outras vozes: Propostas individuais que não se incluam nos tópicos anteriores poderão ser submetidas à organização do colóquio.
Objetivos:
a) Refletir, de forma transdisciplinar, acerca da relação da filosofia com as artes;
b) Possibilitar o contato com as mais diversas reflexões e interpretações dessa relação no âmbito nacional e internacional;
c) Discernir e analisar procedimentos de encenação do corpo em diferentes sistemas artísticos;
d) Discutir, através da análise de teóricos contemporâneos, modalizações particulares das questões acerca do copo e da performance;
c) Promover o debate em torno de temas de interesse acadêmico e artístico.