Congresso 2011
Imagem, imaginação, fantasia: 20 anos sem Vilém Flusser
De 18 a 21 de outubro de 2011
Ouro Preto/MG
Comissão Organizadora
Eduardo Soares Neves Silva (UFMG)
Imaculada Kangussu (UFOP)
Rodrigo Duarte (UFMG)
Romero Alves Freitas (UFOP)
Virginia de Araújo Figueiredo (UFMG)

Apresentação

Um dos fenômenos mais facilmente constatáveis na atualidade é o acúmulo de imagens que nos cerca em inúmeros âmbitos na nossa vivência contemporânea. Embora essas imagens não possam sempre ser consideradas como objetos “estéticos” num sentido mais específico, uma vez que na maioria delas não se trata de obras de arte ou fenômenos da bela natureza, não há como desvinculá-las do âmbito da estética num sentido amplo, o qual contempla, por exemplo, a relação dessas imagens com a sociedade e a história.

É evidente que a imagem, num sentido mais geral, sempre foi objeto de reflexões filosóficas, desde a filosofia antiga (p.ex.: Platão e Plotino) até a filosofia contemporânea, passando por páginas memoráveis da filosofia medieval (p.ex.: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino) e da filosofia moderna (primeiramente Pascal e Leibniz, posteriormente, Rousseau e Nietzsche, dentre outros).

No que tange à filosofia contemporânea, no entanto, parece haver uma especificidade no tratamento desse tema advinda do fato de que várias tecnologias introduzidas a partir de meados do século XIX tinham como objetivo exatamente a produção e a difusão de imagens. Isso se deu primeiramente com a fotografia, depois com o cinema e, posteriormente com a televisão, o vídeo e as tecnologias digitais. Desse modo, vertentes filosóficas como a Teoria Crítica da Sociedade (p.ex.: Walter Benjamin e Theodor Adorno) e a Fenomenologia (p. ex.: Merleau Ponty e Mikel Dufrenne) abordaram o tema da imagem já sob o ponto de vista de sua geração e difusão por meios tecnológicos, algumas vezes com ênfase especial nos aspectos sociais e históricos desses fenômenos estéticos.

Embora muitas dessas abordagens possuam ainda uma inegável atualidade e capacidade de esclarecimento de complexas situações suscitadas por essa tendência ao predomínio das imagens na experiência contemporânea, há que se destacar que certas mudanças no paradigma tecnológico da produção e difusão de imagens – tal como assistimos muito recentemente a chamada digitalização dos meios audiovisuais – ainda estão a clamar por enfoques que façam jus às especificidades e à complexidade dos chamados “novos media”. E, de fato, muitos filósofos se dedicaram, nos últimos vinte ou trinta anos, a abordar o tema do predomínio das imagens na contemporaneidade, levando em conta características específicas dos meios mais recentes – especialmente aqueles que empregam tecnologias digitais. Dentre eles, destacou-se o filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser, que, ao desenvolver seu conceitos de “imagens técnicas” ou “tecno-imagens”, ao mesmo tempo em que contemplava o tema das imagens geradas por aparelhos em geral (por exemplo, a fotografia) enfocou como ninguém ainda havia feito a problemática da digitalização dos meios audiovisuais e suas repercussões na sociedade e na história.

Exatamente por isso o Congresso Internacional “Imagem, imaginação, fantasia” pretende abordar alguns dos aspectos mais importantes do pensamento de Flusser, aproveitando a oportunidade para rememorar os vinte anos de sua morte (ocorrida em novembro de 1991). Esse congresso se soma à série de eventos organizados, desde 1993, pela Linha de Pesquisa em Estética e Filosofia da Arte, do PPG em Filosofia da UFMG: Morte da arte, hoje (1993), Belo, sublime e Kant (1995), As luzes da arte (1997), Katharsis (1999), Mímesis e expressão (2001), Theoria Aesthetica (2003), A dimensão estética (2005), Estéticas do deslocamento (2007) e Deslocamentos na arte (2009). Como foi esse último evento, o próximo também será realizado em promoção conjunta com o PPG em Estética e Filosofia da Arte da UFOP, sendo que a proposta geral, de reflexão sobre o estatuto das transformações contemporâneas que cercam a produção artística e o pensamento filosófico sobre a arte e a estética, é retomada a partir do foco principal – embora não exclusivo – na obra desse grande filósofo tcheco-brasileiro que foi Vilém Flusser.